insônia do dia 23

ouço grunhinhos de demônios embaixo de meus ossos e carne
sempre procurando, numa busca incessante dentro de um túmulo
mas  já estão todos cheios, nao há mais espaço nem pra respiração
foram todos asfixiados com o próprio saber
flutuam por mim numa corrente de lágrimas que se encontram
num tempo que é diferente do meu
se encaixando em meio a soluços de madrugadas com olhos abertos
porque a maior dificuldade é encontrar um sentido que dure mais de 24hs
mas desmonto antes disso
e aceito com dignidade
a morte dos sentidos
a morte do que eu fui por quase um dia
e como ninguém além de mim pode fazer
eu enterro o que estou sendo
e dou a luz ao que será de mim
diariamente me vomitando, nascendo e morrendo nessa transformação contínua
chega um ponto onde depois última lágrima
vejo apenas esperança ou luto
e eu estou tentando sobreviver

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