Parecia uma guerra, ruídos para todos os lados, mas eram animais correndo pelo seu corpo miúdo, os pêlos do coelho faziam cócegas em sua barriga, assim como o focinho gelado do cachorro lhe causava arrepios. Guiava-se sem medo pelo cantarolar das aves, contava segredos a elas, para que elas os levassem para longe e sentisse seu coraçãozinho mais leve, era algo como ter comido a última bala em cima da estante, usar a maquiagem da mãe sem permissão. Isso lhe pesava como âncoras em seus pés.
Dedicava sua sabedoria para questionar. Também ficava irritada quando alguém falava alto. Escutou, certa vez, que os cachorros ouvem mais que os humanos, começou a acreditar que tinha uma metade cachorro.
Ia para casa de uma vizinha comer os frutos das árvores que ficavam no jardim, sempre que ia lá, alguma árvore estava carregada com algum fruto, deveria saber que ela as visitaria, afinal, a vizinha é que não era de seu interesse ver.
Cheirava os galhos, acariciava como a um filho recém-nascido. Deixava de instinto canino aparecer e cheirava os frutos, deixava que seu cheio penetrasse em seu corpo, achava que poderia inflar e sair voando. Era hora de voltar. Chegava e ia rapidamente para a frente do espelho pra ver quanto seu cabelo cresceu nas últimas horas. Uau! Logo ficará como o de Amanda.
Mas algo estranho aconteceu, ela percebeu que o açúcar não se dissolveu totalmente no café dessa vez, mas ela é muito sensata, não se mete em brigas conjugais.
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