Mariana

Gosto de vê-la brincar com seus brinquedos no chão,
sendo tão independente desde tão nova.
Há uns dois anos atrás, nós brincávamos na areia na frente de casa
Fazíamos lindos bolos e desenhos na areia, eram enfeitados com flores
Tirávamos fotos, ela estava sempre tão linda e natural
Adorava se sentar na areia sem sequer pensar na sujeira, jogava
água em cima e moldava como conforme sua vontade
Depois, entrávamos e ela ia primeiro para o banho
Deixava a água escorrer descarregando o cansaço do dia
e voltava com um cheirinho de shampoo nos cabelos,
dentro de uma roupinha quente.
Queria esse tempo novamente, nem que fosse para sonhar com ele.
Ela cresce rapidamente, os sapatos são trocados com frequencia,
agora quer sapato de salto, quer ser uma moça!
Na volta da escola, ela conta o que aconteceu com detalhes
mostra seu trabalho em folhas, fala quais foram os lápis que emprestou
na entrega do boletim, ela pode trazer pra casa as atividades que ficaram na escola
coloca a pasta em nossas mãos com entusiasmo pelo que foi feito.
É tão mágico e surpreendente a maneira como soluciona tudo,
ou como acha que as coisas deveriam ser, segredos que ficam entre nós.
Tão sábia.
Me faz ver beleza em tudo que faz, desde a maneira como dorme
ao lado do seu urso favorito, quando o coloca embaixo das cobertas
dizendo que ele também sente frio,  até o jeito de demonstrar carinho
com seus desenhos coloridos, suas histórias que me deixam apaixonada
Parece uma senhora no corpo de criança quando começa a contar suas teorias,
seus pensamentos que dariam belos contos, crônicas e poemas
quando faz pouco caso para os problemas cotidianos,
como se fosse tão experiente que tivesse a consciência que tudo passa.
Vez ou outra me aborrece, me deixa brava, até mostra a língua.
Logo depois abre um sorriso que amolece meu coração
e me faz entender que, mesmo não parecendo, ela é uma criança.

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